Pedagogia da Floresta fortalece educação e saberes tradicionais na RDS Igapó-Açu

Fortalecer os vínculos entre escola, comunidade e natureza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Igapó-Açu, localizada na área de influência da rodovia BR-319, é o propósito do projeto “Pedagogia da Floresta”.
A iniciativa é liderada pela organização Casa do Rio, com apoio da Katia Francesconi Foundation, e propõe uma educação conectada aos modos de vida das populações tradicionais, aos saberes tradicionais e à conservação ambiental.
Segundo Paulo Ricardo, diretor de Programas da Casa do Rio, o projeto surge da necessidade de fortalecer os vínculos entre escola, pessoas e território na comunidade. “É um território profundamente marcado por saberes tradicionais, práticas sustentáveis e modos de vida coletivos, mas que ainda enfrenta desafios quanto à infraestrutura educacional e à valorização cultural”, afirma.
Realizado na Escola Municipal Igapó-Açu, localizada dentro da RDS, o encontro de apresentação reuniu lideranças comunitárias, famílias, professores e funcionários da escola – que também trocaram ideias sobre o significado do que o projeto representa para a comunidade.
“A reunião foi marcada por um debate rico e participativo. As pessoas demonstraram curiosidade e engajamento, trazendo perguntas sobre o projeto e sobre como a nova sala poderá ser um espaço sustentável e inspirador para a comunidade”, conta Lia Mandelsberg, coordenadora do projeto.

Estrutura e formação
A Escola Municipal Igapó-Açu enfrenta desafios estruturais e pedagógicos que dificultam a oferta de uma educação alinhada à realidade local. Diante disso, o projeto prevê a construção de uma nova sala de aula, integrada ao ambiente natural, para atender até 30 alunos, com conforto térmico, ventilação e iluminação adequadas às condições amazônicas.
Para Angleice Dias, diretora da escola, a nova estrutura representa um avanço importante para a qualidade da educação.
“Essa sala vai melhorar o ensino e a aprendizagem, diminuir a quantidade de alunos por turma e oferecer mais conforto e espaço para estudar. Também vai facilitar o trabalho dos professores e deixar a escola mais organizada”, explica.
Além da construção, o projeto oferece formação continuada para 15 professores, baseada nos princípios da Pedagogia da Floresta. A iniciativa também se comunica com órgãos públicos e gestores ambientais, garantindo organização, sustentabilidade e respeito às diretrizes da Unidade de Conservação (UC).
As ações estão previstas até maio de 2026 e têm o potencial de inspirar outras escolas e comunidades ribeirinhas da Amazônia, mostrando que é possível aprender e ensinar a partir da floresta.
