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Morcegos ajudam na manutenção de ecossistema, mas sofrem com avanço do desmatamento na BR-319, aponta especialista

Ciência

A popularidade dos morcegos cresceu durante a pandemia de Covid-19. Animais injustiçados, pois são muito lembrados pela transmissão de doenças, eles têm importância ecológica fundamental para a manutenção da biodiversidade em locais como a área de influência da BR-319. Atualmente, a ciência tem conhecimento de 27 espécies de morcegos na região. 

Uma delas é o morcego-de-ventosa (Thyroptera tricolor), um pequeno mamífero que pesa cerca de cinco gramas e costuma se abrigar em pequenos grupos ou sozinho, em folhas de bananeiras nativas. Alimenta-se apenas de pequenos insetos que voam no ar. 

Na região, foram registradas espécies que são especialistas em comer insetos, frutos, néctar, sapos, ratos, pequenas aves e até outros morcegos. Elas costumam se abrigar na copa das árvores, sobre ou dentro de troncos e até em cupinzeiros abandonados. 

Os morcegos atuam na agricultura por meio da polinização de plantas comerciais, como a banana, o pequi e o piquiá, e no controle de insetos-praga, o que nos faz economizar milhões de reais em agrotóxicos. Algumas espécies de morcegos também controlam populações de ratos e sapos. Além disso, há espécies que se alimentam de vegetais e espalham sementes em diferentes locais, ajudando na regeneração de ambientes degradados e na manutenção da floresta em pé. 

Todos nós convivemos com muitas espécies de morcegos e nem sabemos. Morcegos não são vilões, são seres extremamente importantes para que outras espécies coexistam e para que nós, humanos, tenhamos comida abundante e menos envenenada por agroquímicos na nossa mesa. 

Há muitas espécies a serem estudadas de forma mais profunda, e outras sequer foram registradas. Diante disso, a principal ameaça para esses animais é a perda de seu habitat. Como uma das áreas mais bem preservadas da Amazônia, as florestas adjacentes à BR-319 fornecem alimento, local seguro para abrigo e reprodução dessas espécies, fazendo com que tenham uma relação de mútua cumplicidade com plantas e outros animais. A preservação dos ecossistemas é o que garante o tão frágil equilíbrio dinâmico amazônico.


Daniela Bôlla, é doutoranda em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e há mais de 10 anos estuda os morcegos na área de influência da BR-319; também é coautora da obra “Na escuridão da Floresta Amazônica, lá estão os… morcegos da BR-319”. 



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