Carnaval diferente reúne jovens de Áreas Protegidas de Manicoré para debater impacto das mudanças climáticas nos seus territórios

Entre os dias 2 e 5 de março, cerca de cem jovens de Áreas Protegidas de Manicoré se reuniram na comunidade Ponta do Campo, na Reserva Extrativista (Resex) Capanã Grande, para debater o impacto das mudanças climáticas em seus territórios. O evento foi promovido pela Juventude Mensageira do Amor de Cristo (Jumac), da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos, ligada à Arquidiocese do município, e contou com a participação do coletivo de Jovens do Beiradão.
“O objetivo do evento foi trabalhar com os jovens as ações humanas e o equilíbrio entre o homem e a natureza, tendo como um dos principais focos as mudanças climáticas”, explica Daniel Moraes, coordenador do coletivo Jovens do Beiradão e morador da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Amapá. “Tendo em vista os grandes impactos que a Amazônia tem enfrentado nos últimos anos, o evento foi uma oportunidade de explorar o conhecimento dos jovens sobre essa realidade para, juntos, encontrarmos soluções viáveis para reduzir os impactos das mudanças climáticas na população, trabalhando e vivendo de forma mais consciente sobre o nosso planeta”, afirma.
O tema do encontro foi “Fraternidade e Ecologia Integral”, o mesmo da Campanha da Fraternidade de 2024, um convite da Igreja Católica para refletir sobre os sintomas e as causas da crise socioambiental que o Brasil enfrenta.
A coordenadora da Jumac do Setor Madeira 2, Thaiany Lagos Lopes, da comunidade Boa Esperança, na RDS Rio Amapá, destacou a importância do evento para ampliar a consciência ambiental dos participantes. “Foi um encontro muito produtivo, principalmente em relação ao meio ambiente, que foi tema das palestras. Aprendi muitas coisas das quais nem imaginava e que agora fazem parte da minha vida daqui para frente, como realizar a limpeza adequada da comunidade, cuidar da natureza e dos animais. Juntos, buscamos soluções para reduzir o consumo de lixo e tentar manter o equilíbrio entre o homem e a natureza”, afirmou.
A Amazônia tem sido um dos biomas mais afetados pelas mudanças climáticas, com impactos diretos nas populações tradicionais e nas Áreas Protegidas. O aumento da temperatura global, o desmatamento e as queimadas agravam eventos climáticos extremos, como secas severas e enchentes recordes. Em 2023, o Amazonas enfrentou a pior seca dos últimos 121 anos, afetando o transporte fluvial, a pesca e o abastecimento de água em diversas comunidades ribeirinhas.
Eventos como esse fortalecem a juventude local na busca por soluções sustentáveis. O conhecimento tradicional aliado à ciência é essencial para enfrentar a crise climática e proteger os territórios amazônicos.
Texto produzido pelo coletivo Jovens do Beiradão.
