Brigada indígena é contratada pelo Ibama e colabora em ações contra incêndios florestais no Interflúvio Madeira-Purus

A brigada de incêndio do povo Apurinã, que atua na Terra Indígena (TI) Caititu, localizada no Interflúvio Madeira-Purus (área de influência da BR-319), foi contratada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), através do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PrevFogo), em cooperação técnica com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O reconhecimento vem após três anos de atuação voluntária no território.
Com a contratação, os brigadistas contam com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), ferramentas, veículos e remuneração para seguir protegendo seus territórios. O grupo já iniciou as atividades de prevenção a incêndios florestais e montou uma agenda de visitas às aldeias da TI Caititu, com o objetivo de conscientizar a população sobre o uso seguro do fogo e a implementação de viveiro de mudas, tendo o início da temporada de seca.

O processo de criação da Brigada Indígena da TI Caititu teve início em 2022, inicialmente como uma estratégia de proteção do território, das roças e Sistemas Agroflorestais (SAFs) implementados pelo povo Apurinã. Após a realização de uma formação básica e compra dos equipamentos essenciais, os trabalhos foram iniciados.
Já em 2023, em uma articulação liderada pela Associação de Produtores Indígenas da Terra Indígena Caititu (Apitc) e Operação Amazônia Nativa (Opan), foi solicitado ao Ibama/Prevfogo um curso técnico avançado para aprimoramento e formalização da brigada. A formação ocorreu em 2024 com a capacitação de 23 indígenas que atuaram voluntariamente ao longo do ano no combate aos focos de incêndio na área de influência da BR-319.
Atualmente, a Brigada Indígena de Incêndio da TI Caititu é formada por 15 pessoas, sendo 12 brigadistas, dois chefes de esquadrão e um chefe geral.
Formação de uma brigada inicial
Para implementar uma brigada, o primeiro passo é consultar a comunidade e verificar a vontade de formação de um grupo para proteger o território. Caso a resposta seja positiva, o processo segue com a seleção e capacitação dos brigadistas. O treinamento inclui estratégias de combate direto, uso de abafadores e bombas costais e ações preventivas, como a queima prescrita.
Depois disso, eles são contratados por um período inicial de seis meses, quando também atuam com EPIs, ferramentas e apoio logístico. Porém, as responsabilidades vão além do combate ao fogo.
Neste período, os brigadistas realizam ações de educação ambiental nos territórios, orientando os moradores sobre o uso controlado do fogo e os riscos das queimadas. Em determinadas áreas, também implementam viveiros e fazem o plantio de mudas nativas.
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