• Quem somos
  • Monitoramentos
  • Mapa Interativo
  • Linha do tempo
  • Biblioteca
  • Notícias
  • Galeria
    • Fotos
    • Vídeos
    • Podcasts
Contato

Aumento de desmatamento em Terras Indígenas preocupa lideranças

Destaque do Mês

Desde criança, uma das diversões de Nilcélio Jiahui era acompanhar seu pai na abertura do roçado, na aldeia Ju’í, a 103 km do município de Humaitá, Amazonas. Juntos, caminhavam mata adentro e, no local previamente demarcado, logo começavam a fazer o aceiro. As árvores de madeiras nobres ou úteis para a construção de casas, artefatos ou canoas já haviam sido removidas. As restantes seriam queimadas. Não demorou para que o curumim entendesse que seu povo trazia, tradicionalmente, a derrubada da mata e a queima controlada para limpar o terreno como seus aliados: da roça viria parte do sustento da família. 

O menino cresceu e, com ele, as pressões externas ao território. O desmatamento e as queimadas descontroladas da floresta passaram a representar ameaças não apenas para os habitantes de sua aldeia, mas para muitas outras Terras Indígenas (TIs) da Amazônia e do Brasil. 

Atualmente, como um dos membros da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB, o líder não esconde sua preocupação com o aumento do desmatamento nas Terras Indígenas e unidades de conservação da Amazônia Legal e, particularmente, da área de influência da rodovia BR-319, conforme demonstram os monitoramentos do Observatório da BR-319. 

Das 69 TIs monitoradas mensalmente pelo Observatório, 26 (38%) apresentaram desmatamento em julho de 2020, algumas delas sem históricos anteriores de derrubadas. Também foi verificado um grande aumento de desmatamento quando comparamos com dados do mês anterior. A TI Apurinã, km 124 da BR-317, por exemplo, não teve áreas desmatadas em junho e apresentou 27 hectares desmatados em julho de 2020. Ela está entre as três TIs que lideram o ranking de desmatamento de julho, ficando atrás apenas da TI Karipuna, com 48 ha desmatados e a TI Deni, que teve 81 ha de sua área desmatados. 

“Desde março de 2020, quando começou a pandemia, o desmatamento aqui na região vem aumentando por conta das invasões das Terras Indígenas”, confirmou Nilcélio. O agravamento da situação, ressaltou, se dá pela falta de fiscalização. “Nós ficamos à mercê dos invasores. Estamos totalmente abandonados pelos órgãos de gestão. Não há fiscalização”. 

Após a derrubada e a extração das madeiras nobres, vem o fogo, outra ameaça às Terras Indígenas. “Estamos sofrendo muito com essa questão dos fogos ateados em nossas terras por criminosos”. O prejuízo vai além da perda da madeira. “As queimadas destroem a fauna e flora, vitais para a nossa subsistência, e trazem as doenças, como: gripe, pneumonia, malária. Tudo isso atrelado à pandemia do Covid-19. Está difícil”, desabafou o líder indígena.

Proposta de Moratória ao Desmatamento na Amazônia 

Na Amazônia, os desmatamentos antecedem as grandes queimadas e por isso é preciso combatê-los. Em 2020, conforme aponta o Observatório do Clima, o desmatamento na região amazônica já é o maior desde o início da série de alertas do sistema de monitoramento por satélite Deter B, do Inpe, e pode vir a ser o maior desde 2006. 

O estabelecimento de uma moratória de pelo menos cinco anos ao corte da floresta foi uma das medidas apresentadas na carta entregue no dia 6 de agosto de 2020 aos presidentes da Câmara e do Senado, a investidores estrangeiros e a parlamentares brasileiros e europeus, assinada por mais de 60 organizações e coletivos da sociedade civil. 

Além da moratória ao desmate, o documento traz outras quatro medidas emergenciais para a contenção da crise do desmatamento na Amazônia que incluem o endurecimento das penas aos crimes ambientais, inclusive o bloqueio de bens dos cem maiores desmatadores da Amazônia; a retomada imediata do PPCDAm; a demarcação de Terras Indígenas, a titulação de territórios quilombolas e criação de 10 milhões de hectares em unidades de conservação; e a reestruturação do Ibama, do ICMBio e da Funai. 

A moratória ao desmatamento comporta exceções: atividades de subsistência de populações tradicionais, agricultura familiar e planos de manejo sustentável de madeira, por exemplo, ainda seriam admitidos.

—

Baixe o aplicativo para denúncias

O governo brasileiro criou a plataforma Guardiões da Amazônia para denúncias de ilícitos ambientais. Disponível para o sistema Android, o aplicativo possibilita ao usuário o cadastramento ou a opção pelo anonimato.

O que é e como fazer um aceiro? Técnica de controle e combate aos incêndios florestais.

Edição 11 – Agosto 2020 – Destaques



...
  • Monitoramentos
  • Mapa interativo
  • Linha do tempo
  • Biblioteca
  • Notícias
Contato

Whatsapp: (92) 98197-0012

Email:
[email protected]
[email protected]

Apoio:
logo gordon and betty moore foundation

© Observatório BR-319 - 2026. Todos direitos reservados

Desenvolvimento: